Druga Godba traz um mundo de música de volta a Ljubljana

por Catarina Cornejo

O Druga Godba, literalmente “segunda banda” ou “outra banda”, é um festival de músicas do mundo que traz à Eslovénia ritmos outros que os do costume. Realiza-se na Eslovénia desde 1984, tendo sido pioneiro na Jugoslávia, e conta mais anos do que o Festival Músicas do Mundo em Sines, referência dos portugueses. A 34.ª edição decorreu no final do mês passado, e trouxe a Piran, a Liubliana e a Kranj mais de 20 conversas e performances. Para facilitar a deslocação, existia um autocarro oficial gratuito a fazer o transporte Liubliana-Piran e vice-versa, destinado aos detentores do passe geral do festival. A Sardinha, no entanto, ficou-se este ano apenas por Liubliana. A primeira noite na capital dividiu-se entre Šiška e o centro. Em Metelkova, fomos ver os congoleses KOKOKO!, com instrumentos de corda e percussão que são tão obra deles como a desinibição do público, a dançar enérgico e a cantar sempre que convidado. 

Tocaram também os Fumaça Preta, trio anglo-luso-venezuelano, movidos por uma força selvagem, e inspirados por estilos tão variados como rock psicadélico, free jazz e tropicália. Gritavam palavras em espanhol e em português, que compreensíveis ou não, conquistaram irreversivelmente o bar Channel Zero.  Os concertos do dia seguinte passaram-se em Šiška. O jardim da Vodnikova Domačija recebeu Les Filles de Illighadad, “filhas” de Illighadad, uma aldeia no deserto Sahara na Nigéria. Se fazem história no Druga Godba por serem a primeira banda liderada por uma mulher que toca guitarra elétrica, estão também neste projeto a revolucionar a música tradicional do Tuareg, em que à mulher cabe apenas fazer percussão. Foi um concerto de fim de tarde harmonioso, intimista mas de casa cheia, em que sentíamos ter a ocasião de uma vida de as ouvir e através delas, Illighadad.